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Odisseia
Os 24 cantos

Canto XI · Os relatos de Odisseu

O reino dos mortos

Odisseu fala com Tirésias, com a mãe e com Aquiles.

Diante de uma vala de sangue, Odisseu ergue a espada enquanto o espírito pálido do profeta Tirésias surge da escuridão.
Tirésias aparece a Ulisses durante o sacrifício, Henry Fuseli, 1780–1785

Nos confins do Oceano, Odisseu cava uma vala e derrama o sangue de um carneiro e de uma ovelha negra. As almas dos mortos se aproximam para beber. A primeira é Elpenor, que pede para ser enterrado. Depois vem Tirésias, que profetiza: Odisseu voltará, se os companheiros não tocarem o gado do Sol; encontrará a casa tomada e matará os pretendentes; e um dia deverá caminhar terra adentro com um remo nos ombros até um povo que não conheça o mar.

Odisseu vê a mãe, Anticleia, que morreu de saudade dele, e tenta três vezes abraçá-la, em vão. Agamêmnon lhe conta sua morte e o aconselha a desconfiar até de Penélope. Aquiles diz a frase mais famosa do canto: preferiria ser servo de um homem pobre na terra a reinar sobre todos os mortos. Ájax, ainda ressentido pela disputa das armas de Aquiles, recusa-se a falar e se afasta em silêncio.